segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Banksy on Advertising





"As pessoas estão tirando sarro de você todos os dias. Elas se intrometem na sua vida e depois desaparecem. Te encaram de edifícios altos e fazem você se sentir pequeno.Fazem comentários arrogantes em traseiras de ônibus que sugerem que você não é suficientemente sexy e que toda aquela diversão está acontecendo em outro lugar.Elas estão na TV fazendo sua namorada não se sentir bonita o bastante. Elas possuem acesso à tecnologia mais sofisticada do mundo e elas te humilham com isso. Essas pessoas são "Os Anunciantes" e eles estão rindo de você!
Mas você está proibido de tocá-los. Marca, direito de propriedade intelectual e direito autoral significam que os anunciantes podem dizer o que quiserem onde quiserem com total impunidade.
Foda-se! Qualquer anúncio em espaço público, que não lhe dá nenhuma escolha a não ser vê-lo ou não, é seu. É seu pra tomar conta, pra modificar e reutilizar. Você pode fazer o que quiser com ele. Pedir permissão pra isso é como pedir pra guardar a pedra que jogaram na sua cabeça.
Você não deve nada às corporações e suas empresas. Menos que nada. Você, especialmente, não deve qualquer cortesia a eles. Eles devem a você. Eles reorganizaram o mundo pra se colocarem na sua frente. Eles nunca pediram sua permissão, então, nem sequer pense em pedir a deles."

Banksy

O dia em que fomos deixados na estrada

Essa história é sobre um casal, o sistema rodoviário do Rio de Janeiro (Brasil) e a empresa 1001. Em abril de 2012 eu e Renan fomos para Búzios no feriado da Páscoa. Foram quatro dias de muita alegria e amor. A idéia de ir embora era um saco, mas não havia outro jeito. Na segunda eu tinha aula e o Renan um trabalho marcado. A passagem de volta estava marcada para as 20h30 e o ponto de ônibus ficava muito perto da casa do meu padrinho, onde estávamos. Chegamos no ponto de ônibus as 20h, com folga e as passagens na mão. Haviam algumas pessoas no ponto que informaram que o das sete e pouca já tinha passado, ou seja, o nosso deveria ser o próximo. 20h45 e nada. Começamos a ficar preocupados. Chegou uma menina que iria pegar o das 21h15. 21h15 e nada. Nenhum dos dois havia passado. As 21h30 chegou um ônibus, nós já estávamos putos e exaustos, mas por um lado aliviados que dessa vez deveria ser o nosso. Não era, era o da menina das 21h15 que ainda levou um fora. Eu e Renan abrimos a boca e tomamos um fora maior ainda. O sujeito motorista saiu varado! A 1001 não atendia nenhum telefone, nenhum SAC, nada. Tivemos que voltar para a casa. Ainda bem que o caseiro ainda estava lá com as chaves. Já tínhamos perdido nossos compromissos, então decidimos ir embora na segunda só de tarde para aproveitar um pouco mais. Chegamos na "rodoviária" de Búzios as 15h e conseguimos trocar nossa passagem para as 15h30. Pelo menos isso, apesar deles não terem nenhuma satisfação sobre o dia anterior. Foi o tempo de uma água e um picolé. Como nossa passagem da noite anterior era de executivo mais caro que tinha. Pensamos que tinham nos colocado em um ônibus que pelo menos tivesse banheiro. Na hora de embarcar descobrimos que nem isso tinha. Eu estava apertada e perguntei ao motorista se dava tempo de ir fazer xixi. Ele estupidamente falou que tinha pressa e precisava chegar no rio na hora. Eu respondi ironizando ele: "aham, até parece que essa empresa tem pontualidade, ou melhor respeito com o cliente". Tive que entrar, apertada. Chegamos na primeira parada e na hora de descer o Renan perguntou quanto tempo tínhamos e o motorista simplesmente respondeu: "o tempo que eu tiver". Calamos. Fomos ao banheiro e entramos para comer alguma coisa. Nosso sujeito motorista estava sentado do nosso lado. Assim que ele levantou levantamos também e nos dirigimos ao caixa. Enquanto pagávamos escutamos aquele aviso de que o nosso ônibus sairia em 5 minutos. 3 minutos, foi o tempo contado no relógio entre o caixa e o embarque. Mas, quado chegamos no embarque nos deparamos com um das cenas mais podres da minha vida. O nosso ônibus indo embora com todas as nossas coisas dentro! Tentamos correr, chegamos perto e ele acelerou. Catatônicos, andamos de volta em direção ao embarque. Assim que chegamos um motorista de um outro ônibus nos chamou: "Psiu! Eu vou quebrar o galho de vocês". Nesse instante consegui abrir a boca e só conseguia gritar: "Filhos da Puta, empresa de merda", no caso, estava preocupada em xingar a 1001 e o nosso motorista, não o segundo motorista, que apesar da fala ignorante, a princípio não tinha nada a ver com a história. Porém, nossa situação só piorou. O segundo motorista que nos ofereceu ajuda simplesmente entrou no ônibus sendo ainda mais grosseiro que eu dizendo que não nos levaria porque nós éramos muito mal educados. O Renan tentou, impedir ele de sair, pediu, insistiu que eu, assim como ele só estava obviamente nervosa. Mas para piorar mais um pouquinho, as únicas pessoas que estavam dentro desse ônibus e resolveram se meter, falaram em defesa do motorista, que ele só queria ter ajudado a gente e que queriam ir logo embora. Era inacreditável, o motorista só empurrava o Renan e as pessoas o defendiam. O Renan se irritou mais e subiu na escada de entrada do ônibus,. dizendo que ele era o único funcionário da empresa ali e que ele tinha a obrigação de nos ajudar. Nem que fosse entrando em contato com outro funcionário e pedindo ajuda para nós. Deu no que deu, o motorista covardemente deu uma voadora no Renan, que caiu da escada. Alguém me viu desesperada e me avisou que tinha um funcionário do Graal que administrava a chegada e saída dos ônibus de cada empresa. Fui correndo e encontrei o cara. Quando voltamos para lá O ônibus estava saindo com o Renan pendurado na porta. Gritamos e o motorista parou, abriu a porta para ele sair e foi embora acelerado. Ninguém acreditava, nem eu Nem o Renan nem o funcionário que nos ajudou! Ele nos disse que estava tudo errado! O primeiro motorista nunca poderia ter saído sem fazer uma contagem dos passageiros e se tivesse faltando alguém deveria falar com ele! O motorista também nunca poderia ter saído só com um sinal de aviso! Ele nos falou que são pelo menos 3. Tivemos que ir para o meio da estrada esperar mais 40 minutos até que passasse um outro ônibus da 1001 com lugar vazio. Esse funcionário também garantiu ligando para 1001 que nossas bagagens estariam a salvo! Chegamos no Rio, mas uma hora de denúncia e solicitações. Nossas bagagens estavam a salvo e o Renan sem ferimentos.

Texto escrito para a Revista da Mostra de Teatro da UFRJ

"Só não viu quem não quis"

Enquanto nos sentamos para escrever estas palavras, dois meses nos separam do momento em que elas serão lidas na revista da Mostra de Teatro da UFRJ. Mais dois meses de aprofundamento da pesquisa, de tudo o que nos aproxima e separa dela. Dois meses também definem o nosso tempo de ensaio até aqui. Parece adequado, portanto, neste ponto central da trajetória do processo, falar do motivo, da causa, daquilo que nos atravessa desde o princípio, sem adornos ou conclusões extremas.

Uma peça e um filme, contornados pelo ímpeto de alimentar, através de uma presença estética de outra ordem, uma nova experiência capaz de nos retirar da cegueira diante daquilo que o cotidiano urbano insiste em chamar de coloquial ou trivial. Tornar sensíveis os fluxos de gente, as trajetórias mecânicas que instauram a desatenção quanto ao que é marginalizado pelas políticas públicas e também pelo olhar do cidadão, o aumento das passagens de ônibus e os rasgos ocultos dos corpos vestidos. É diante da emergência dessas imagens naquilo que criamos enquanto artistas, no nosso trabalho diário, na função que exercemos, que podemos igualmente transmutar este fazer em ação civil. Quando o pensamento não cabe nele mesmo, nem na cena, nossa existência nos solicita novos deslocamentos sensíveis. Arrombar as geometrias e configurar novos espaços.

Para este efeito, o trabalho é composto por pesquisas individuais desenvolvidas em sala de ensaio, que, levadas para cenários externos a partir das propostas apresentadas pelos atores, são a força-motriz de um sistema de retroalimentação entre teatro e cinema, que vislumbra descortinar as interações éticas e documentais dessas diferentes formas de expressão artística, bem como fazê-las encontrar interfaces sustentáveis de criação coletiva, com atenção especial para as práticas performativas.

Nestes dois meses passados, nestes dois meses distantes, o que nos atravessa e nos torna responsáveis diariamente pelo trabalho que desenvolvemos vem da autonomia e da força das novas poéticas criadas a cada sala de ensaio, a cada dia de trabalho, através da força da voz da Juliana que denuncia nosso próprio fazer para nos questionar, do compromisso do Caio com verdades que deveriam ser óbvias expostas por uma vivacidade única, do engajamento do corpo do Rafa sem rodeios, da lucidez da Bel diante daquilo que deve ser dito, do movimento corajoso do Gunnar para derrubar as barreiras do encontro na cena, da sutileza comprometida do Alonso com nossos desejos, da brutalidade da Nina em prol dos atravessamentos, da precisão inocente do Danilo, da observação sensível da Nati capturando tudo, do Tom, do Shane, dos Porcos Militares, Natashas e Carmens, dos santos mortos, dos doentes, dos jovens, dos índios e, como dizemos na peça, dessa coisa da juventude de se doar. Não, da juventude não, do artista de se doar pra alguém, de se entregar de corpo e alma. Aliás, hoje foi o primeiro dia da minha sobrinha no balé, então, também tem dessas coisas.

Isadora Malta e Lucas Canavarro

Para o Gunnar:



Deixa eu lembrar de você?
Porque também tem dessas coisas.

#produçãodememória.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Protesto silencioso no México

Em silêncio e sob chuva, milhares de zapatistas deixaram suas comunidades nas montanhas de Chiapas e tomaram pacificamente as ruas de San Cristobal de las Casas, Ocosingo e Las Margaritas. Caminhando com as bandeiras da EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional) e do México, o grupo voltou a se manifestar depois de anos de silêncio. Em um ato simbólico que durou algumas horas, os descendentes dos maias aproveitaram o dia em que muitos esperam o fim do mundo para sair às ruas do país. Esta época é importante para os zapatistas porque foi em 22 de dezembro de 1997 que o Estado mexicano, por meio de cem paramilitares, assassinou 45 indígenas, sendo 18 crianças e 22 mulheres, enquanto rezavam em um templo religioso em Chiapas. Depois de 15 anos, o massacre de Acteal, ainda não foi julgado. Em 30 de janeiro de 2008, porém, a Comissão Civil Internacional de Observação dos Direitos Humanos sinalizou que o Estado teve responsabilidade nos fatos. Por essa razão, o presidente do México na segunda metade da década de 1990, Ernesto Zedillo, foi acusado de ser o responsável político pelo massacre. No entanto, em setembro deste ano Zedillo foi absolvido nos Estados Unidos, onde mora atualmente. http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/26161/mexico+zapatistas+retomam+marchas+em+chiapas+no+fim+da+era+maia++.shtml?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter

O Museu do Índio - locação

Locação para a Dança dos Mortos de Tom e Shane, no México. Se possível vamos filmar assim que o Caio voltar de Curitiba.

O Museu do Índio



O prédio que abrigava o Museu do Índio foi fundado em 1953 pelo Marechal Rondon e por Darcy Ribeiro. Permaneceu exercendo esta função social e cultural até 1977, quando foi abandonado e lentamente ocupado por marginais e moradores de rua. Em 2006, 35 índios de 17 etnias diferentes, oriundos de diversas partes do Brasil, reivindicaram o direito sobre o prédio, respaldados pelo Ministério da Agricultura, e o ocupam até hoje. Lá constituíram a primeira aldeia indígena urbana do Brasil, a Aldeia Maracanã.

Em 2012, o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, adquiriu o imóvel da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), um órgão federal, pelo valor de R$ 60 milhões, espalhados em 180 parcelas. O governador alega que o prédio precisa ser demolido em função das obras que objetivam preparar o estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014. A área hoje ocupada pelo museu seria transformada em shopping, estacionamento e praça de alimentação. Segundo o governo do estado, esta teria sido uma solicitação da FIFA, que negou o fato em carta enviada ao próprio Cabral.

Junto com a Escola Friedenreich, também na região, as representações indígenas tentam, na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Vereadores, o tombamento do prédio, que já foi defendido por diversas entidades reguladoras como o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) e o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia). O governo do estado ignorou todas as indicações oferecidas por estas entidades e mantém sua posição quanto à demolição do espaço. Até o momento, desde o anúncio da demolição, nenhum representante dos governos estadual e federal ou da prefeitura do Rio foi até a Aldeia Maracanã para dialogar em torno da questão com os índios que ocupam a propriedade.

O edital de licitação para a seleção de empresas responsáveis pela demolição estabeleceu o dia 20/12/2012 como prazo final para entrega das propostas. Sendo assim, é possível que o processo de demolição tenha início no dia 20/01/2013.