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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Cabral aprova lei da moral e dos bons costumes


RIO — O nome é pomposo e, pela extensão e conteúdo que sugere, vai exigir um esforço sem precedentes do governo do Rio: “Programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais”. Sancionado na quinta-feira pelo governador Sérgio Cabral, o projeto de lei, de autoria da deputada Myrian Rios (PSD), tem a finalidade “promover o resgate da cidadania, o fortalecimento das relações humanas e a valorização da família, da escola e da comunidade como um todo”. Explicação muito genérica?
A deputada dá uma dica na justificativa do projeto: “infelizmente, a sociedade de uma maneira geral vem cada dia mais se desvencilhando dos valores morais, sociais, éticos e espirituais (...) Sem esse tipo de valor, tudo é permitido, se perde o conceito do bom e ruim, do certo e errado. Perde-se o critério do que se pode e deve fazer ou o que não se pode”. Para disseminar o que é certo e errado, a nova lei determina que o governo do estado deve fazer convênios e parcerias “articuladas e significativas” com prefeituras e sociedade civil.
Procurado, o governador deixou que a Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos a missão de explicar como aplicará o programa, já que o órgão é quem deve pôr em prática nova lei. Mas até mesmo o secretário Zaqueu Teixeira (PT) foi pego de surpresa. Teixeira informou que terá ainda que discutir como regulamentar a lei, definindo quais serão os projetos para o “fortalecimento das relações humanas”.
Myrian Rios foi eleita em 2010 pelo PDT, depois foi para o PSD, hoje partido da base do governo. A ex-atriz e missionária já se envolveu numa polêmica em 2011 ao insinuar num discurso na Alerj haver semelhanças entre a pedofilia e a homossexualidade. Na época, disse que foi mal interpretada e pediu desculpas.

http://oglobo.globo.com/rio/cabral-aprova-lei-da-moral-dos-bons-costumes-7329567#ixzz2IIgGgvH9 

domingo, 13 de janeiro de 2013

O que move Sérgio Cabral contra os índios?


Jornal do BrasilMarcelo Auler
A cena protagonizada no sábado (12) por policiais militares do Batalhão de Choque, fortemente armados e com uniformes típicos de confronto, cercando um prédio onde estavam indígenas munidos de arco e flecha, pode parecer bisonha em pleno século XXI, mas além do ridículo da situação, demonstra a maneira pouco democrática com que o governo do estado do Rio de Janeiro conduz a questão da reforma do Estádio do Maracanã.
Naquele estádio, em 16 de julho de 1950, o Brasil se viu derrotado na Copa do Mundo quando, na final, o uruguaio Alcides Ghiggia marcou o gol da virada que deu ao país vizinho seu segundo e último título de campeão mundial.  Anos mais tarde, de forma irônica, o jogador comentou a façanha destacando que “apenas três pessoas, com um único gesto, calaram um Maracanã com 200 mil pessoas: Frank Sinatra, o papa João Paulo II e eu”.
Isto apenas mostra que o Maracanã, ao longo dos seus 62 anos, já recebeu públicos variados. Na época em que suas arquibancadas eram corridas – sem cadeiras individuais – e que existia a famosa “geralzona”, onde o público – a maioria pobre, mas não apenas eles – assistia aos jogos em pé, ao redor do campo, o Estádio Mário Filho abrigou facilmente quantidade muito superior aos 100 mil torcedores.
O governador Sérgio Cabral Filho, vascaíno doente e descendente de um jornalista que além do samba é vidrado no futebol, certamente quando criança e jovem esteve em jogos que tenham atraído esta multidão de admiradores do esporte. Sempre em quantidade muito superior aos 76 mil espectadores que o estádio abrigará, por exigência da Fifa, na Copa do Mundo de 2014, após a reforma que está instalando cadeiras individuais nas antigas arquibancadas.
Uma reforma que foi decidida entre quatro paredes, sem a participação do público, nem nenhum tipo de consulta mais aberta a especialistas ou órgãos de classe. Prevaleceram os interesses da Fifa, da CBF, na época presidida por Ricardo Teixeira que, todos sabem, comandou a entidade movido por propósitos nem sempre muito claros, e pelos governantes do Rio, Sérgio Cabral à frente. Mas a reforma está sendo sustentada com dinheiro público, de bancos oficiais, ou seja, em última instância, pelos impostos que os torcedores – aqueles que não foram jamais ouvidos – recolhem.
Curiosamente, o projeto estipulado entre quatro paredes e sem a participação popular decidiu pela impossibilidade de convivência entre o estádio reformado e um prédio erguido naquela região muito antes de se pensar em ali se instalar um estádio de futebol.
Datado de 1862, portanto com mais de 150 anos, o prédio do antigo Museu do Índio não tem valor histórico apenas pela sua construção centenária, mas pelo que abrigou. Foi nele que o marechal Rondon inicialmente, depois com a ajuda do antropólogo Darcy Ribeiro e dos irmãos Villas Boas, traçou e conquistou para o país a política nacional de preservação dos indígenas. Foi ali, por exemplo, que eles juntos travaram a batalha em defesa do Parque Nacional do Xingu que, como o filme de mesmo nome acaba de mostrar a milhões de pessoas, tanto nas salas de cinema quanto pela Rede Globo, garantiu a sobrevivência de diversas nações indígenas. E ali se manteve uma tradição indígena, fazendo do prédio abrigar a Aldeia Maracanã, que se transformou em referência para os índios no Rio de Janeiro.
A convivência entre o prédio com 150 anos e o estádio com 62 anos sempre foi pacífica. Mesmo tendo abrigado algumas vezes até 200 mil pessoas, não há registro de que o antigo prédio tenha atrapalhado a hoje denominada “mobilidade urbana”. Estas duas centenas de milhares de pessoas entraram e saíram do estádio Mário Filho sem maiores pertubações, às vezes incomodadas apenas pelos congestionamentos causados por carros particulares transportando quantidade ínfima de passageiros.
Ora, se no passado por ali circularam sem maiores problemas duas centenas de milhares de pessoas, sejam torcedores, fiéis que foram ver o papa ou fãs de Frank Sinatra, por que motivos há de se alegar que o prédio atrapalhará a “mobilidade urbana” em jogos onde são esperados muito menos espectadores?
Fala-se da necessidade de construção de um grande estacionamento. Ou seja, mais uma vez as autoridades priorizam o transporte individual, quando na verdade, em nome da “mobilidade” e até da defesa do meio ambiente, deveriam se preocupar não em derrubar um prédio, que em nada atrapalha o ir e vir dos torcedores, mas sim criar corredores exclusivos de ônibus para que estes, ao lado dos trens da SuperVia e do Metrô garantam o escoamento do publico sem maiores congestionamentos.
Na verdade, toda esta mobilização do governo, inclusive utilizando soldados do Batalhão de Choque que vivenciaram o ridículo papel de cercarem uma aldeia cujos índios possuíam apenas arcos, flechas e, talvez, tacapes improvisados, leva a crer que o governo de Sérgio Cabral está sendo movido por outros interesses.
O que se percebe é a vontade de limpar a área para que a iniciativa privada possa explorar a região com estacionamentos que terão preços abusivos e shoppings onde o chamado mercado irá faturar em cima dos 76 mil torcedores esperados nos jogos da Copa do Mundo. Por detrás disto, consta, estariam também os interesses do megaempresário Eike Batista, aquele que emprestava aviãozinho para os passeios do senhor governador.
Por conta de interesses não dos mais nobres é que toda a história do velho e centenário prédio onde outrora se desenhou a política indigenista do país e, por isto, abrigou o Museu do Índio e tornou-se referência para as tribos indígenas, está sendo jogada no lixo. O pior é que tudo pode acontecer com a omissão ou mesmo a participação do Judiciário Federal fluminense, uma vez que partiu da presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Maria Helena Cisne, a decisão de suspender a liminar que impedia a remoção da aldeia indígena. Ainda há tempo de se evitar que se jogue um pedaço da História do Brasil na lata do lixo. Por enquanto, apenas a Defensoria Pública da União, alguns poucos políticos e movimentos sociais tentam evitar isto. Mas, quem sabe, outras entidades não despertarão do sono profundo no raiar desta segunda-feira, antes do governador promover nova cena dantesca, mandando fuzis e metralhadoras cercarem arcos, flechas, tacapes e parte da História do Brasil?

sábado, 12 de janeiro de 2013

Café Chinelos



Como hoje foi dia de apresentação de composição, mando a minha por aqui.

Café Chinelos, uma música de Bruno Pinheiro, que atravessou meu corpo.

Câmera: Chics Tíra Spinelli.

sem mais.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Carta, bilhetinho ou email:

Curitiba é uma cidade grande. Bom, pelo menos é o que dizem sobre ela. Ganhou esse status assim como uma série de outras cidades que não vejo necessidade de citar. Assim como o Rio de Janeiro, Curitiba é uma cidade grande. Em oposição ao Rio de Janeiro, ela ainda sabe se fazer pequena. Pequena, tranquila, provinciana e, acreditem, quase bucólica. No bairro do Ahú as casas são de todos os tipos, as ruas arborizadas, com jardins floridos que-só-vendo. Todos os dias tem cara de domingo. Poucas pessoas na rua, ou melhor, ninguém na rua. Os estabelecimentos fecham cedo e conseguir uma cerveja pode ser uma missão de, maios ou menos, umas duas horas de duração. Todas as casas são vigiadas pelo moço que dirige uma moto e cuida da rua de noite. A nossa segurança aqui é garantida por 11 janelas fechadas com cadeado, três portas com três trancas cada e o moço que dirige a moto e cuida da rua de noite. No quintal, a cachorra Biscoito é o alarme para qualquer movimento - suspeito ou não. Biscoitinha ou Biscoitão late se um carro estaciona perto da casa, late se alguém passa na rua, late se o cachorro de outra casa late e late toda vez que o moço que dirige a moto e cuida da rua de noite passa em frente a entrada da casa. Ah, ela também late de saudade do Café, o gato. Os donos da casa disseram que "o Café pode ficar aqui dentro porque os gatos são mais higiênicos". Aham. Sábado em Curitiba também é domingo. O Torto fechou meia noite porque a cerveja acabou e não deu conta do número de pessoas. O Lado B já estava fechado, assim como o Roca e todos os outros bares. Só nos restou o Olds que era o único bar aberto e por isso abarrotado de gente. Fila para comprar, fila para pegar, fila para mijar, fila para sentar e pedir licença. Em Curitiba as pessoas ainda bebem na rua, sentadas no meio-fio ou em rodinhas de gueto. Cantagalo? São Lourenço? São Pedro ou São João? A fila do Wonka dobrava a rua - também era a única balada existente na cidade em uma noite de sábado(DOMINGO). O cigarro ainda não aumentou aqui e você pode pagar no débito, sempre que quiser. O telefone das cias. de táxi é 0800 e a maior parte dos carros também aceita cartão. Os táxis são laranja tipo queijo cheddar de bisnaga. Sabe? O Lu e a Bia foram para a praia. A Chics está dormindo e eu estou no meu quarto provisório. Se o Café entra é espirro pra todo lado. Lá embaixo fica o quarto que fizemos de escritório para o trabalho. Aliás, hoje o dia foi muito produtivo. A Mariama é a nossa produtora e ontem foi aniversário dela. Na festa da Mariama teve piscina, pinha colada, cerveja, ice e cachaça mineira da boa. A Mariama é mineira. Ela veio para Curitiba fazer faculdade...como todas as pessoas que eu conheço de Curitiba que não são curitibocas. O Lu e o Bruno tocaram muita viola e guitarra pra gente. Pessoas que se gostam, que se amam, que se comem e se bebem quando reunidas são todas iguais. Parecidas, bem parecidas. É que sentado no sofá da Mariama, com o som rolando, a cerveja esquentando, o cigarro queimando de repente era gente. Sabe? Maria Bethânia, please send me a letter...Caetano também é curitibano. Música por todos os lados e também eles, os músicos. Canções belas,  Café Chinelos, Gato Nanquin, Rosa Morte. Eles cantavam e riam e, aos poucos, quem morria pelos cantinhos era eu. Saudade boba, saudade gostosa. Saudade que afirma que o que a gente tem é bom- demais-da-conta e por isso a gente não troca. A gente vai ali, mas volta. Curitiba me prova diariamente o que se diz improvável nas curvas cariocas. O custo de vida é honesto, a comida farta e se vive com o que se tem. Arroz, feijão, picanha acebolada, batata-frita e um prato de saladinha quanto dá? "O prato executivo, é? Tá Oito reais, piá". Aí também tem dessas coisas, né? De se lembrar do sujinho e dos seus 12 reais cobrados. Tem quatro pessoas na mesa, moço. "Então vocês vão dividir uma coca dois litros?". Isso. Aqui o ônibus não atrasa e você pode ver o horário que ele vai passar na internet. Nada de mofar no ponto, nada de surpresas. E se o ônibus chega mais cedo do que o horário previsto?, eu perguntei. Ele aguarda no ponto, aguarda a pessoa que se programou para o horário previsto. E se ele atrasa? O motorista avisa a central e você pode ver no seu celular. OMG. Em frente ao ponto de ônibus, logo depois do Barolho - o do almoço bacana - tem um buffet de sorvete. BEL. Pertinho da gente o museu daquele moço que morreu faz pouco tempo e a morte dele ainda é comentada. Eu não vou dizer o seu nome para que ele possa ficar sem ler essa postagem. O centro cívico é lindo e o Palácio do Governo fica atrás do museu. O centro é habitado e não esquecido. A grande Curitiba é pequena. A livraria Cultura hoje estava fechada para melhor atender aos clientes amanhã. Boa parte do comércio só voltou as atividades no dia de hoje. Essa gente daqui, bem diferente da nossa gente daí (e isso não é um elogio), leva a sério essa história de recesso, repouso. Até carro parece que por aqui descansa. O Gustavo chega na quarta e eu ainda não o conheço mas somos vizinhos de quarto. A casa não é casa é chalé. Toda de madeira para afastar o frio - que não está fazendo. Dizem as más línguas que eu trouxe o calor comigo. Ah, no avião eu conheci a Rafaela, uma querida-super-jovem tatuada que foi passar o ano novo no Rio. Nessa quinta a gente vai pruma balada juntos. Então também tem dessas coisas, né?

com carinho,

Caio.

Para o Gunnar:



Deixa eu lembrar de você?
Porque também tem dessas coisas.

#produçãodememória.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Museu do Índio - locação

Locação para a Dança dos Mortos de Tom e Shane, no México. Se possível vamos filmar assim que o Caio voltar de Curitiba.

O Museu do Índio



O prédio que abrigava o Museu do Índio foi fundado em 1953 pelo Marechal Rondon e por Darcy Ribeiro. Permaneceu exercendo esta função social e cultural até 1977, quando foi abandonado e lentamente ocupado por marginais e moradores de rua. Em 2006, 35 índios de 17 etnias diferentes, oriundos de diversas partes do Brasil, reivindicaram o direito sobre o prédio, respaldados pelo Ministério da Agricultura, e o ocupam até hoje. Lá constituíram a primeira aldeia indígena urbana do Brasil, a Aldeia Maracanã.

Em 2012, o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, adquiriu o imóvel da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), um órgão federal, pelo valor de R$ 60 milhões, espalhados em 180 parcelas. O governador alega que o prédio precisa ser demolido em função das obras que objetivam preparar o estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014. A área hoje ocupada pelo museu seria transformada em shopping, estacionamento e praça de alimentação. Segundo o governo do estado, esta teria sido uma solicitação da FIFA, que negou o fato em carta enviada ao próprio Cabral.

Junto com a Escola Friedenreich, também na região, as representações indígenas tentam, na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Vereadores, o tombamento do prédio, que já foi defendido por diversas entidades reguladoras como o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) e o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia). O governo do estado ignorou todas as indicações oferecidas por estas entidades e mantém sua posição quanto à demolição do espaço. Até o momento, desde o anúncio da demolição, nenhum representante dos governos estadual e federal ou da prefeitura do Rio foi até a Aldeia Maracanã para dialogar em torno da questão com os índios que ocupam a propriedade.

O edital de licitação para a seleção de empresas responsáveis pela demolição estabeleceu o dia 20/12/2012 como prazo final para entrega das propostas. Sendo assim, é possível que o processo de demolição tenha início no dia 20/01/2013.