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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Carta, bilhetinho ou email:

Curitiba é uma cidade grande. Bom, pelo menos é o que dizem sobre ela. Ganhou esse status assim como uma série de outras cidades que não vejo necessidade de citar. Assim como o Rio de Janeiro, Curitiba é uma cidade grande. Em oposição ao Rio de Janeiro, ela ainda sabe se fazer pequena. Pequena, tranquila, provinciana e, acreditem, quase bucólica. No bairro do Ahú as casas são de todos os tipos, as ruas arborizadas, com jardins floridos que-só-vendo. Todos os dias tem cara de domingo. Poucas pessoas na rua, ou melhor, ninguém na rua. Os estabelecimentos fecham cedo e conseguir uma cerveja pode ser uma missão de, maios ou menos, umas duas horas de duração. Todas as casas são vigiadas pelo moço que dirige uma moto e cuida da rua de noite. A nossa segurança aqui é garantida por 11 janelas fechadas com cadeado, três portas com três trancas cada e o moço que dirige a moto e cuida da rua de noite. No quintal, a cachorra Biscoito é o alarme para qualquer movimento - suspeito ou não. Biscoitinha ou Biscoitão late se um carro estaciona perto da casa, late se alguém passa na rua, late se o cachorro de outra casa late e late toda vez que o moço que dirige a moto e cuida da rua de noite passa em frente a entrada da casa. Ah, ela também late de saudade do Café, o gato. Os donos da casa disseram que "o Café pode ficar aqui dentro porque os gatos são mais higiênicos". Aham. Sábado em Curitiba também é domingo. O Torto fechou meia noite porque a cerveja acabou e não deu conta do número de pessoas. O Lado B já estava fechado, assim como o Roca e todos os outros bares. Só nos restou o Olds que era o único bar aberto e por isso abarrotado de gente. Fila para comprar, fila para pegar, fila para mijar, fila para sentar e pedir licença. Em Curitiba as pessoas ainda bebem na rua, sentadas no meio-fio ou em rodinhas de gueto. Cantagalo? São Lourenço? São Pedro ou São João? A fila do Wonka dobrava a rua - também era a única balada existente na cidade em uma noite de sábado(DOMINGO). O cigarro ainda não aumentou aqui e você pode pagar no débito, sempre que quiser. O telefone das cias. de táxi é 0800 e a maior parte dos carros também aceita cartão. Os táxis são laranja tipo queijo cheddar de bisnaga. Sabe? O Lu e a Bia foram para a praia. A Chics está dormindo e eu estou no meu quarto provisório. Se o Café entra é espirro pra todo lado. Lá embaixo fica o quarto que fizemos de escritório para o trabalho. Aliás, hoje o dia foi muito produtivo. A Mariama é a nossa produtora e ontem foi aniversário dela. Na festa da Mariama teve piscina, pinha colada, cerveja, ice e cachaça mineira da boa. A Mariama é mineira. Ela veio para Curitiba fazer faculdade...como todas as pessoas que eu conheço de Curitiba que não são curitibocas. O Lu e o Bruno tocaram muita viola e guitarra pra gente. Pessoas que se gostam, que se amam, que se comem e se bebem quando reunidas são todas iguais. Parecidas, bem parecidas. É que sentado no sofá da Mariama, com o som rolando, a cerveja esquentando, o cigarro queimando de repente era gente. Sabe? Maria Bethânia, please send me a letter...Caetano também é curitibano. Música por todos os lados e também eles, os músicos. Canções belas,  Café Chinelos, Gato Nanquin, Rosa Morte. Eles cantavam e riam e, aos poucos, quem morria pelos cantinhos era eu. Saudade boba, saudade gostosa. Saudade que afirma que o que a gente tem é bom- demais-da-conta e por isso a gente não troca. A gente vai ali, mas volta. Curitiba me prova diariamente o que se diz improvável nas curvas cariocas. O custo de vida é honesto, a comida farta e se vive com o que se tem. Arroz, feijão, picanha acebolada, batata-frita e um prato de saladinha quanto dá? "O prato executivo, é? Tá Oito reais, piá". Aí também tem dessas coisas, né? De se lembrar do sujinho e dos seus 12 reais cobrados. Tem quatro pessoas na mesa, moço. "Então vocês vão dividir uma coca dois litros?". Isso. Aqui o ônibus não atrasa e você pode ver o horário que ele vai passar na internet. Nada de mofar no ponto, nada de surpresas. E se o ônibus chega mais cedo do que o horário previsto?, eu perguntei. Ele aguarda no ponto, aguarda a pessoa que se programou para o horário previsto. E se ele atrasa? O motorista avisa a central e você pode ver no seu celular. OMG. Em frente ao ponto de ônibus, logo depois do Barolho - o do almoço bacana - tem um buffet de sorvete. BEL. Pertinho da gente o museu daquele moço que morreu faz pouco tempo e a morte dele ainda é comentada. Eu não vou dizer o seu nome para que ele possa ficar sem ler essa postagem. O centro cívico é lindo e o Palácio do Governo fica atrás do museu. O centro é habitado e não esquecido. A grande Curitiba é pequena. A livraria Cultura hoje estava fechada para melhor atender aos clientes amanhã. Boa parte do comércio só voltou as atividades no dia de hoje. Essa gente daqui, bem diferente da nossa gente daí (e isso não é um elogio), leva a sério essa história de recesso, repouso. Até carro parece que por aqui descansa. O Gustavo chega na quarta e eu ainda não o conheço mas somos vizinhos de quarto. A casa não é casa é chalé. Toda de madeira para afastar o frio - que não está fazendo. Dizem as más línguas que eu trouxe o calor comigo. Ah, no avião eu conheci a Rafaela, uma querida-super-jovem tatuada que foi passar o ano novo no Rio. Nessa quinta a gente vai pruma balada juntos. Então também tem dessas coisas, né?

com carinho,

Caio.

O dia em que fomos deixados na estrada

Essa história é sobre um casal, o sistema rodoviário do Rio de Janeiro (Brasil) e a empresa 1001. Em abril de 2012 eu e Renan fomos para Búzios no feriado da Páscoa. Foram quatro dias de muita alegria e amor. A idéia de ir embora era um saco, mas não havia outro jeito. Na segunda eu tinha aula e o Renan um trabalho marcado. A passagem de volta estava marcada para as 20h30 e o ponto de ônibus ficava muito perto da casa do meu padrinho, onde estávamos. Chegamos no ponto de ônibus as 20h, com folga e as passagens na mão. Haviam algumas pessoas no ponto que informaram que o das sete e pouca já tinha passado, ou seja, o nosso deveria ser o próximo. 20h45 e nada. Começamos a ficar preocupados. Chegou uma menina que iria pegar o das 21h15. 21h15 e nada. Nenhum dos dois havia passado. As 21h30 chegou um ônibus, nós já estávamos putos e exaustos, mas por um lado aliviados que dessa vez deveria ser o nosso. Não era, era o da menina das 21h15 que ainda levou um fora. Eu e Renan abrimos a boca e tomamos um fora maior ainda. O sujeito motorista saiu varado! A 1001 não atendia nenhum telefone, nenhum SAC, nada. Tivemos que voltar para a casa. Ainda bem que o caseiro ainda estava lá com as chaves. Já tínhamos perdido nossos compromissos, então decidimos ir embora na segunda só de tarde para aproveitar um pouco mais. Chegamos na "rodoviária" de Búzios as 15h e conseguimos trocar nossa passagem para as 15h30. Pelo menos isso, apesar deles não terem nenhuma satisfação sobre o dia anterior. Foi o tempo de uma água e um picolé. Como nossa passagem da noite anterior era de executivo mais caro que tinha. Pensamos que tinham nos colocado em um ônibus que pelo menos tivesse banheiro. Na hora de embarcar descobrimos que nem isso tinha. Eu estava apertada e perguntei ao motorista se dava tempo de ir fazer xixi. Ele estupidamente falou que tinha pressa e precisava chegar no rio na hora. Eu respondi ironizando ele: "aham, até parece que essa empresa tem pontualidade, ou melhor respeito com o cliente". Tive que entrar, apertada. Chegamos na primeira parada e na hora de descer o Renan perguntou quanto tempo tínhamos e o motorista simplesmente respondeu: "o tempo que eu tiver". Calamos. Fomos ao banheiro e entramos para comer alguma coisa. Nosso sujeito motorista estava sentado do nosso lado. Assim que ele levantou levantamos também e nos dirigimos ao caixa. Enquanto pagávamos escutamos aquele aviso de que o nosso ônibus sairia em 5 minutos. 3 minutos, foi o tempo contado no relógio entre o caixa e o embarque. Mas, quado chegamos no embarque nos deparamos com um das cenas mais podres da minha vida. O nosso ônibus indo embora com todas as nossas coisas dentro! Tentamos correr, chegamos perto e ele acelerou. Catatônicos, andamos de volta em direção ao embarque. Assim que chegamos um motorista de um outro ônibus nos chamou: "Psiu! Eu vou quebrar o galho de vocês". Nesse instante consegui abrir a boca e só conseguia gritar: "Filhos da Puta, empresa de merda", no caso, estava preocupada em xingar a 1001 e o nosso motorista, não o segundo motorista, que apesar da fala ignorante, a princípio não tinha nada a ver com a história. Porém, nossa situação só piorou. O segundo motorista que nos ofereceu ajuda simplesmente entrou no ônibus sendo ainda mais grosseiro que eu dizendo que não nos levaria porque nós éramos muito mal educados. O Renan tentou, impedir ele de sair, pediu, insistiu que eu, assim como ele só estava obviamente nervosa. Mas para piorar mais um pouquinho, as únicas pessoas que estavam dentro desse ônibus e resolveram se meter, falaram em defesa do motorista, que ele só queria ter ajudado a gente e que queriam ir logo embora. Era inacreditável, o motorista só empurrava o Renan e as pessoas o defendiam. O Renan se irritou mais e subiu na escada de entrada do ônibus,. dizendo que ele era o único funcionário da empresa ali e que ele tinha a obrigação de nos ajudar. Nem que fosse entrando em contato com outro funcionário e pedindo ajuda para nós. Deu no que deu, o motorista covardemente deu uma voadora no Renan, que caiu da escada. Alguém me viu desesperada e me avisou que tinha um funcionário do Graal que administrava a chegada e saída dos ônibus de cada empresa. Fui correndo e encontrei o cara. Quando voltamos para lá O ônibus estava saindo com o Renan pendurado na porta. Gritamos e o motorista parou, abriu a porta para ele sair e foi embora acelerado. Ninguém acreditava, nem eu Nem o Renan nem o funcionário que nos ajudou! Ele nos disse que estava tudo errado! O primeiro motorista nunca poderia ter saído sem fazer uma contagem dos passageiros e se tivesse faltando alguém deveria falar com ele! O motorista também nunca poderia ter saído só com um sinal de aviso! Ele nos falou que são pelo menos 3. Tivemos que ir para o meio da estrada esperar mais 40 minutos até que passasse um outro ônibus da 1001 com lugar vazio. Esse funcionário também garantiu ligando para 1001 que nossas bagagens estariam a salvo! Chegamos no Rio, mas uma hora de denúncia e solicitações. Nossas bagagens estavam a salvo e o Renan sem ferimentos.