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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
quatro paredes para o Alonso
Alonso, querido, esse é o blog de um trabalho que fiz com o Caio em 2009. O blog continuou e parece que tem uma infinidade de coisas nele. Talvez muitas delas possam te servir para alguma coisa (talvez não). Mas acho que, pelo menos, significa muito dentro disso tudo:
http://violentaentrequatroparedes.blogspot.com.br/
"DOMINGO, 25 DE OUTUBRO DE 2009
eu calei porque...
porque acabou, mas na verdade eu não reconheço o fim, porque era bom estar com você todos os dias, bom respirar junto, suar junto, pensar junto, repensar. Porque repensei e achei melhor calar. Porque do nada as coisas acontecem e a gente nem percebe. Porque talvez tenha sido a semana mais rápida da minha vida e quando fui tomar o café vi que ele já tinha ficado para trás naquela tarde chuvosa. A música já estava decorada, o sorriso já estava na cabeça e as alegrias e os nervosismos já eram identificados com facilidade. Usei a calça dobrada de um jeito diferente naquele dia e só você reparou e quando vi estávamos brincando feito crianças de 2 anos de idade e só a gente achava isso bonito. Porque ninguém mais sabia falar desse jeito, só a gente. Porque se não estamos juntos acho melhor esquecer. Porque na verdade tudo que fizemos foi gritar, melhor calar por um tempo então e ficar assim com vocês, no silêncio, é difícil e fácil, bonito e feio, alegre e triste e talvez necessário, não se sabe de fato nada."
Para Alonso:
três poemas de "cigarros na cama",
de ricardo domeneck
3.
Comecei a fumar porque você fuma
e eu certamente não queria viver
mais que você. Agora já sem
o seu hálito, suas bitucas e cinzas
na mesma cama, começo o dia
com um cigarro, exatamente
e ainda pelo mesmo motivo.
12.
Fumando na chuva,
curvado e ainda mais corcunda,
preferindo proteger o cigarro,
não a nuca.
17.
Passo a fumar à francesa
segundo a sua descrição
e nomenclatura: com o cigarro
na mão direita
levo-o ao canto esquerdo da boca,
deixo os dedos levemente abertos
com o cigarro nos lábios
entre o indicador e o dedo médio,
fazendo côncavas as bochechas
com a inspiração do fumo,
mas talvez eu esteja apenas
imitando-o agora à distância
de ricardo domeneck
3.
Comecei a fumar porque você fuma
e eu certamente não queria viver
mais que você. Agora já sem
o seu hálito, suas bitucas e cinzas
na mesma cama, começo o dia
com um cigarro, exatamente
e ainda pelo mesmo motivo.
12.
Fumando na chuva,
curvado e ainda mais corcunda,
preferindo proteger o cigarro,
não a nuca.
17.
Passo a fumar à francesa
segundo a sua descrição
e nomenclatura: com o cigarro
na mão direita
levo-o ao canto esquerdo da boca,
deixo os dedos levemente abertos
com o cigarro nos lábios
entre o indicador e o dedo médio,
fazendo côncavas as bochechas
com a inspiração do fumo,
mas talvez eu esteja apenas
imitando-o agora à distância
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Para o Alonso
De quando você se apaixona por um escritor. Ou por qualquer pessoa. Ou por um animal.
Terça-feira, 18 de agosto de 2009
é que agora vejo você ao meu lado e perto de mim e longe de mim e amigo de mim como se, de fato, em mim, dentro de mim, você estivesse. agora penso que somos de verdade, de dar as mãos, tocar segredos e sagrados. penso que passeio com você pela Augusta vendo todas as jaciras passarem com seus pêlos e peitos definidos. penso que temos sim um jardim e que está cada vez mais doloroso ver os girassóis não resistirem a esses monstrinhos. tenho a certeza de que fui eu quem guardou suas coisas quando perdeste o apartamento em são paulo, como também sei que lhe escrevi durante todos os meses que estiveste fora do país. comprei todos os jornais onde palavras suas me cantavam belezas pela manhã fria. fui eu quem saiu de madrugada a lhe procurar pelas casas noturnas, fui eu quem viu você com outro e não se importou, pois sabia que nele, você também me amava. talvez, tenha sido eu a pessoa que lhe enviou os botões de rosa que plantaste durante os seus últimos dias de vida. fui eu quem dividiu o café com você e também com a jack, com o gui, com a lygia, com a magli, com todo o mundo. fui eu quem leu as primeiras páginas de seu romance que ficou inacabado. na estréia de sapatinhos, eu estava lá. sentado. foi por amor a ti que aceitei sua doença e me fiz positiva quando pensava ser tudo isso um acontecimento de grande negatividade. eu estava lá cantando com cazuza no momento em que ele lhe dedicou aquela música. em paris, quando a grana estava curta e o frio enorme fui eu quem lhe enviou os envelopes com pequenas quantias em dinheiro e fotos de lojas que, no momento, liquidavam seus cobertores. ao seu lado nos meios de transporte: ônibus, trem, avião, carro, júpiter, saturno. eu jaciiiiiiiiiiiiiiiiiiira que só ela, como você, sempre de salto agulha, mini saia de couro, preta, apertada, esperando o amor chegar. fui eu quem disse aos jovens para lhe idolatrar. eu fiz tantas coisas por você. quando ana se tacou da janela eu não fui segurá-la. preferi estar aí, ao seu lado. comprei lenço para as lágrimas, caetano e adriana para o pós-morte. quando tacaste fogo no apartamente, foi meu coração que quase se derreteu todo no ato de pensar que já havia chegado a hora de sua partida. no menino deus, interior, eu também dizia as pessoas que lhe não lhe tratassem mal, que fizessem certo esforço para compreender as almas solitárias. eu fiz tanta coisa por você e, hoje, não sabes o quanto andas fazendo por mim. espero que estas palavras, de alguma forma, te alcancem e espero também que você possa sorrir ao entrar em contato com elas. espero que estejas confortável, perfumado, cheio de livros e discos. espero que um dia, mesmo depois de feito tanto, eu posso retribuir tudo o que vem fazendo por mim. com amor.
http://casadeavenca.blogspot.com.br/2009/08/para-voce-jacira.html
Terça-feira, 18 de agosto de 2009
é que agora vejo você ao meu lado e perto de mim e longe de mim e amigo de mim como se, de fato, em mim, dentro de mim, você estivesse. agora penso que somos de verdade, de dar as mãos, tocar segredos e sagrados. penso que passeio com você pela Augusta vendo todas as jaciras passarem com seus pêlos e peitos definidos. penso que temos sim um jardim e que está cada vez mais doloroso ver os girassóis não resistirem a esses monstrinhos. tenho a certeza de que fui eu quem guardou suas coisas quando perdeste o apartamento em são paulo, como também sei que lhe escrevi durante todos os meses que estiveste fora do país. comprei todos os jornais onde palavras suas me cantavam belezas pela manhã fria. fui eu quem saiu de madrugada a lhe procurar pelas casas noturnas, fui eu quem viu você com outro e não se importou, pois sabia que nele, você também me amava. talvez, tenha sido eu a pessoa que lhe enviou os botões de rosa que plantaste durante os seus últimos dias de vida. fui eu quem dividiu o café com você e também com a jack, com o gui, com a lygia, com a magli, com todo o mundo. fui eu quem leu as primeiras páginas de seu romance que ficou inacabado. na estréia de sapatinhos, eu estava lá. sentado. foi por amor a ti que aceitei sua doença e me fiz positiva quando pensava ser tudo isso um acontecimento de grande negatividade. eu estava lá cantando com cazuza no momento em que ele lhe dedicou aquela música. em paris, quando a grana estava curta e o frio enorme fui eu quem lhe enviou os envelopes com pequenas quantias em dinheiro e fotos de lojas que, no momento, liquidavam seus cobertores. ao seu lado nos meios de transporte: ônibus, trem, avião, carro, júpiter, saturno. eu jaciiiiiiiiiiiiiiiiiiira que só ela, como você, sempre de salto agulha, mini saia de couro, preta, apertada, esperando o amor chegar. fui eu quem disse aos jovens para lhe idolatrar. eu fiz tantas coisas por você. quando ana se tacou da janela eu não fui segurá-la. preferi estar aí, ao seu lado. comprei lenço para as lágrimas, caetano e adriana para o pós-morte. quando tacaste fogo no apartamente, foi meu coração que quase se derreteu todo no ato de pensar que já havia chegado a hora de sua partida. no menino deus, interior, eu também dizia as pessoas que lhe não lhe tratassem mal, que fizessem certo esforço para compreender as almas solitárias. eu fiz tanta coisa por você e, hoje, não sabes o quanto andas fazendo por mim. espero que estas palavras, de alguma forma, te alcancem e espero também que você possa sorrir ao entrar em contato com elas. espero que estejas confortável, perfumado, cheio de livros e discos. espero que um dia, mesmo depois de feito tanto, eu posso retribuir tudo o que vem fazendo por mim. com amor.
http://casadeavenca.blogspot.com.br/2009/08/para-voce-jacira.html
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